Saltar para o conteúdo

Darwinismo social

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Darwinismo social é um nome moderno dado a várias teorias da sociedade, que surgiram no Reino Unido, América do Norte e Europa Ocidental, na década de 1870.[1] Trata-se de uma tentativa de se aplicar o darwinismo nas sociedades humanas. Descreve o uso dos conceitos de luta pela existência e sobrevivência dos mais aptos, para justificar políticas que não fazem distinção entre aqueles capazes de sustentar a si e aqueles incapazes de se sustentar. Esse conceito motivou as ideias de eugenia, racismo, imperialismo,[2] fascismo, nazismo e na luta entre grupos e etnias nacionais.[3]

O termo foi popularizado em 1944 pelo historiador norte-americano Richard Hofstadter, mas atualmente, por causa das conotações negativas da teoria do darwinismo social, especialmente após as atrocidades da Segunda Guerra Mundial, poucas pessoas se descrevem como social-darwinistas, e o termo é geralmente visto como pejorativo.[4]

O darwinismo social tem origem na teoria da seleção natural de Charles Darwin, que explica a diversidade de espécies de seres vivos através do processo evolução. O sucesso da teoria da evolução motivou o surgimento de correntes nas ciências sociais baseadas na tese da sobrevivência do mais adaptado, da importância de um controle sobre a demografia humana.[5]

De acordo com esse pensamento, existiriam características biológicas e sociais que determinariam que uma pessoa é superior à outra e que as pessoas que se enquadrassem nesses critérios seriam as mais aptas. Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade em um ser humano seriam a habilidade nas ciências humanas e exatas em detrimento das outras ciências, como a arte, por exemplo, e a raça da qual ela faz parte.[5]

Um conjunto de pensadores atribui a fonte do darwinismo social ao próprio Darwin, que na sua obra A Origem do Homem, havia aplicado a sua teoria ao mundo social. Nesta obra, Darwin ocupa-se da evolução humana e, ao fazê-lo, aplica os mesmos critérios que utiliza em A Origem das Espécies.[5]

A teoria de Darwin diz também que no mundo sobrevive o mais adaptado, por isso há a evolução; que os seres vivos evoluem para continuarem vivos, e o próprio homem seria exemplo disso.[5]

O darwinismo social foi empregado para tentar explicar a inconstância pós-revolução industrial, sugerindo que os que estavam pobres eram os menos aptos (segundo interpretação da época da teoria de Darwin) e os mais ricos que evoluíram economicamente seriam os mais aptos a sobreviver, por isso, os mais evoluídos. Durante o século XIX, as potências europeias também usaram o darwinismo social como justificativa para o imperialismo.[6]

Críticas e controvérsias

[editar | editar código-fonte]

Outros autores influenciados pelas ideias de Darwin se opuseram ao darwinismo social, como Piotr Kropotkin. Em sua obra Ajuda Mútua: Um Fator de Evolução, Kropotkin defende que a solidariedade entre indivíduos de um mesmo grupo ou espécie é tão importante para a sobrevivência quanto a competição entre grupos e espécies.

Mais recentemente, o estudo das sociedades a partir do ponto de vista biológico foi chamado de sociobiologia, que com as inovações do campo da biologia e da sociologia, procura dar um parecer mais condizente com a realidade de hoje em dia. Da sociobiologia surgiu uma disciplina similar, a Psicologia Evolucionista.

A aplicação da biologia de Darwin às teorias sociais fortalecia o imperialismo, o racismo, o nacionalismo e o militarismo. Os darwinistas sociais insistiam em que os indivíduos e as raças estavam dentro de uma luta pela sobrevivência, em que apenas o mais forte sobrevive e, na realidade, apenas o mais forte merece sobreviver.

Eles dividiam a humanidade em raças superiores e inferiores e consideravam o conflito racial e o nacional uma necessidade biológica e um meio para o progresso.[7]

Várias definições incompatíveis

[editar | editar código-fonte]

O darwinismo social tem muitas definições, e algumas delas são incompatíveis entre si. Como tal, o darwinismo social tem sido criticado por ser uma filosofia inconsistente, que não conduz a quaisquer conclusões políticas claras. Por exemplo, o The Concise Oxford Dictionary of Politics afirma:

Referências

  1. Williams, Raymond. 2000. darwinismo social. Na avaliação crítica de Herbert Spencer. John Oferta. (Ed). pp. 186-199
  2. Leonard, Thomas C. (2009) Origins of the Myth of Social Darwinism: The Ambiguous Legacy of Richard Hofstadter’s Social Darwinism in American Thought (PDF) Journal of Economic Behavior & Organization 71, p.37–51
  3. Gregory Claeys (2000). A "sobrevivência do mais apto" e as Origens do darwinismo social. Revista de História das Ideias 61 (2): 223-240.
  4. Hodgson 2004, pp. 428–430
  5. a b c d Wells, D. Collin. 1907. "darwinismo social". American Journal of Sociology. Vol. 12, No. 5, pp. 695-716
  6. Spencer, Herbert. 1860. 'O organismo social ", publicado originalmente em The Review Westminster. Reproduzido em (1892) de Spencer Ensaios: científico, político e especulativo. Londres e Nova York.
  7. «Folha Online - Educação - Resumão/história - O darwinismo social - 09/01/2001 09h19». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 25 de junho de 2020 
  8. McLean, Iain (2009). The Concise Oxford Dictionary of Politics. [S.l.]: Oxford University Press. 490 páginas. ISBN 9780199207800 
pFad - Phonifier reborn

Pfad - The Proxy pFad of © 2024 Garber Painting. All rights reserved.

Note: This service is not intended for secure transactions such as banking, social media, email, or purchasing. Use at your own risk. We assume no liability whatsoever for broken pages.


Alternative Proxies:

Alternative Proxy

pFad Proxy

pFad v3 Proxy

pFad v4 Proxy